Vamos libertar livros? - por Fabiana Alves dos Santos - Celeiro Cultural

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domingo, 14 de fevereiro de 2021

Vamos libertar livros? - por Fabiana Alves dos Santos

Por Fabiana Alves dos Santos

Durante a programação da primeira FLIP – Festa Literária de Paraty, a qual pude participar como ouvinte de forma remota, uma das mudanças positivas que vem se implementado pela necessidade de distanciamento social, tive a oportunidade de assistir a mesa  “A literatura como espaço dos sonhos”, apresentada pela Secretaria de Cultura do Rio de Janeiro, Daniela Barros. Em sua fala de abertura, Daniela Barros se referiu a um projeto desenvolvido chamado Libertação de Livros, que cria uma corrente que vincula doadores e receptores de livros pelo Estado do Rio de Janeiro. 


O termo Libertação de Livros de imediato me encantou por sua ideia concreta e subjetiva. A possibilidade concreta de democratizar o acesso ao livro, item que infelizmente está configurado em nossa sociedade como artigo de luxo, no que concerne ao seu valor financeiro e a sua ausência no espaço comum, é fator contributivo, senão fundamental para a subjetivação da nossa existência, no que concerne à construção individual e coletiva do sujeito. 


Acredito que cada leitor tem sua trajetória construída de forma muito particular. Alguns foram estimulados pelos pais e familiares, outros pela escola, e tantos mais pelo ímpeto da necessidade de estar além do aqui concreto. Em comum a todos, os benefícios da leitura é um fato reconhecido e evocado por inúmeros pensadores. Para exemplificar, recorro  a Paulo Freire, cujo argumento foi um dos motivadores da escrita do projeto “Tecendo Leituras”, espaço no qual escrevo, para enfatizar  que a leitura é um veículo de transformação social  e que “estudar e ler não é um ato de consumir ideias, mas de criá-las e recriá-las” (FREIRE, 2007, p.13). 


No momento em que escrevo esse texto, estamos lendo no Grupo de Leitura Ler é Viver, parte integrante do Tecendo Leituras, o livro “O conto da Aia” de Margaret Atwood. Não há como evitar a sensação de, ao ler o livro, estar libertando a história de June, de um modo muito sensível, rico e particular. O desejo de compartilhar e ampliar essa experiência é latente e motivadora.


Encerro esse texto deixando uma provocação ao coletivo de amigos e leitores do qual faço parte. Vamos libertar livros?

3 comentários:

  1. Parabéns, pelo texto. É preciso que os livros sejam libertados e transformações sejam ocorridas. Foi uma ótima reflexão. Maria Ivanilda.

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  2. Sim!!! Vamos libertar livros e mentes!

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  3. Texto que expressa a necessidade da liberdade em seu melhor significado, a leitura liberta, não só os textos lidos como o leitor, levando-o a viajar por lugares e histórias tornando-se um pensador livre e criativo, senhor de seus caminhos. Parabéns Fabiana, muito inspirador.

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